O lado bom da crise: oportunidade de criar um futuro melhor!

O brasileiro comum está ficando cansado de ouvir falar sobre a crise econômica ou sobre a crise política. Esse cidadão comum, normalmente conhecido como Seu José ou Dona Maria, está sofrendo, amargamente, por erros que não cometeram… está vendo, dia após dia, o quanto a intromissão do Estado na sociedade e na economia é prejudicial a sua vida. Talvez, esse despertar de consciência seja o principal fruto que contribuirá para a construção de um Brasil melhor no futuro próximo.

Imagino essa crise como uma tempestade em alto mar, onde todos nós estamos no mesmo barco e devemos trabalhar juntos para seguir em frente e encontrar um porto seguro ou aguentar até o término dessa tormenta. Precisamos ser fortes e, mais do que nunca, estarmos unidos, pois a viagem é longa, o trabalho é árduo e os desafios são grandiosos. O erro de um, no final, será o erro de todos. Percebo como essa metáfora faz sentido ao nosso contexto atual após ver o resultado que as grandes manifestações têm gerado no contexto político e influenciado o contexto econômico do país. Ver milhões de pessoas irem as ruas tendo como um pautas a reforma do Estado em diversas esferas  e o combate à corrupção é sinal de que a semente foi plantada e que poderemos colher um bom e doce fruto nos próximos anos: a redução do Estado… uma redução sustentável e duradoura.

No auge da nossa crise chegamos a ver, semanalmente informações, tipo: Empresa X cortará 3 mil funcionários enquanto que a Empresa Y não irá mais ampliar a planta da fábrica; a Empresa Z teve o lucro reduzido em 81% no último trimestre. Além dessas notícias negativas, cansamos de ver notícias devastadoras do tipo: Investigação da polícia federal descobre corrupção no governo. O rombo é de 3 bilhões; Campanha do político D foi financiada com 1,4 bilhões em caixa 2. Realmente, essa crise foi devastadora em todos os sentidos, prejuízos econômicos espalhados por todos os lados com mais de 13 milhões de desempregados e milhares de falências; descrédito do sistema político vigente e propagação da ideia de decadência moral do brasileiro. Os danos são assustadores e revoltantes.

Os danos dessa crise não foram quitados e, a cada dia, mais prejuízos aparecem, como se o buraco em que caímos não tivesse mais fim. Creio que a Guerra Cultural que vivenciamos, que se tornou perceptível ao cidadão comum a partir de 2013, não terá fim… será uma luta permanente para o controle da narrativa social e cada um deverá escolher um lado, pois alianças serão feitas, ações empreendidas e espaços ocupados. Os isentões desaparecerão, pois serão pisoteados por todos os lados.

Até o ano de 2013 eu era ingênuo politicamente e me perguntava: como os maiores gestores e cientistas econômicos do mundo, pessoas de competências inquestionáveis, não tiveram a capacidade de perceber o surgimento da crise a tempo de Governos, Organizações e Sociedade Civil adotassem medidas preventivas? Digo que era ingênuo, pois achava que ninguém apontou que o navio estava indo em direção ao iceberg. A verdade é que denúncias não faltavam, em especial as proferidas pelo escritor e filósofo, Olavo de Carvalho. Acontece que as vozes dessas pessoas não tinham eco por conta do controle da narrativa empreendido pela imprensa, que já tinha escolhido o seu lado. Com o surgimento das redes sociais, o monopólio da informação acabou e a Guerra Cultural passou a ter diversos novos players.

Eu confesso o quanto ignorante eu era a respeito de temas tão importantes para as sociedades que alcançaram níveis de desenvolvimento ímpar e que são benchmarks globais nos dias atuais. Temas como conservadorismo, liberalismo, livre mercado, liberdade individual, tradição e etc passaram a fazer parte do meu vocabulário e, desse modo, ampliar a minha inteligência e capacidade de analisar melhor a realidade a partir de 2013 e isso só foi possível por conta do surgimento das grandes manifestações e da utilização das redes sociais como ferramenta de propagação em massa de informações e conteúdo. A cortina de fumaça que o establishment criou para nos esconder a verdade foi dissipada, como se um forte raio de luz surgisse dos céus, permitindo ao indivíduo utilizar seu livre-arbítrio para tomar decisões sobre a sua própria vida, comunidade e, até mesmo, país.

Vivenciado essa tormenta, percebo que estamos despreparados para uma nova tormenta que se aproxima: a chegada do 5G e da quarta revolução industrial. Por que considero essa evolução tecnológica uma tormenta? Pelo simples fato de ver que a esmagadora maioria das pessoas não estão preparadas para a economia atual, imagine para a nova que está a caminho? Como que pessoas que mal sabem usar o computador serão capazes de manter e elevar a sua empregabilidade em um mundo, cada vez mais, dependente de tecnologia? A atual geração pagará a conta pelo fato da geração anterior ter acreditado na mentira de que o Estado é capaz de educar e preparar o indivíduo para a vida, para o mercado de trabalho e para o mundo. A conta da terceirização da responsabilidade um dia chega… chega com juros e correção e, infelizmente, o momento do seu vencimento está próximo.

Apesar de ser um cenário difícil, lembro da máxima que diz “é na crise que surgem as oportunidades”.  A crise surge quando problemas difíceis permanecem entre nós. Essa crise nos apresentou inúmeros problemas e o primeiro passo para solucioná-los é ter consciência da existência deles. Um problema é uma barreira que nos impede de sair do Estado Atual para o Estado Desejado. Quando essa barreira é muito grande e difícil de ser superada adentramos em uma crise. Podemos dizer que uma crise é, também, o acúmulo de problemas não resolvidos que foram jogados para debaixo do tapete até o momento em que não é mais possível escondê-los e seus danos se propagam feito um incêndio na floresta. Se você analisar bem, esse é o cenário do Brasil: diversos problemas e muitos deles com elevado grau de complexidade e pouca vontade da elite política em resolvê-los.

 

Figura – 1: Estado Atual versus Estado Desejado

 

O bom disso tudo, como disse anteriormente, é que boa parte do país já desenvolveu consciência dos nossos problemas. Compreendemos não apenas os efeitos dela, mas suas causas primárias. Observo que esse grau de consciência e amadurecimento nacional trouxe de bom para o indivíduo:

  • Uma nova consciência onde se busca menos Estado e mais Liberdade;
  • Sociedade civil organizada deseja atuar mais na condução da comunidade onde está inserida;
  • O surgimento de uma consciência que quer valorizar o legado histórico que herdou e usar essa tradição como base para construir, paulatinamente, um futuro melhor, sem os rompimentos trágicos e dolorosos que as revoluções ideológicas promovem;
  • A necessidade de se desenvolver um novo arranjo político e de representatividade popular, onde o verdadeiro povo quer que sua voz seja, claramente, ouvida e respeitada;
  • O surgimento de novas formas e relações de trabalho, mais flexíveis e menos burocráticas, que estão sendo responsáveis por salvaguardar aqueles que mais estão sofrendo com toda essa crise: os pobres. Essas novas oportunidades surgem no cenário em que as novas tecnologias estão gerando disrupções em diversos setores;
  • A identificação e compreensão da Guerra Cultural, bem como da necessidade de atuar como soldado/agente na manutenção do legado histórico e dos valores de liberdade que foram responsáveis pela construção da civilização; e
  • A consciência de que, como definiu Ayn Rand, “a menor minoria que existe é o indivíduo”.

Existem vários outros aspectos que poderia trazer, mas estes, na minha atual leitura, são os principais, pois são permanentes! O surgimento dessa nova consciência vem como segundo passo para solução dos problemas e vem influenciando as mudanças que, aos poucos, estão surgindo. Essa é a oportunidade que essa crise nos deu… a de realizar mudanças de mindset e na estrutura do Estado para construir um Brasil melhor e um futuro melhor para o indivíduo e para todos.

Encerro este artigo com o pensamento de dois grandes homens. “A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo” (Peter Drucker), então vamos aproveitar a oportunidade que temos para trabalhar e criar um futuro melhor, pois já dizia Heráclito de Éfeso “uma oportunidade perdida, está perdida para sempre”. A prudência nos diz que essa é a hora de mudar, de verdade, o Brasil! Escolher as ideias certas e fazer a sua parte, pois se perdermos essa chance, talvez não teremos outra e o abismo será o nosso destino. Aproveite esse momento para ser voluntário e crescer, pessoalmente e profissionalmente, com o Brasil.

Muda, de verdade, Brasil!

Gervazio Lopes

Gervazio Lopes

Escolheu Administração como profissão e Empreendedorismo como carreira. É um Caçador de Oportunidades, crossnetwork, empreendedor, palestrante, professor e voluntário. Se define como um conservador, católico, defensor da tradição e da liberdade e estimulador do protagonismo individual para fortalecimento das famílias, desenvolvimento de indivíduos e de sociedades.

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