O efeito da quarentena no setor de franquias.

O efeito da quarentena no setor de franquias – A primeira Edição do Diálogo Empreendedor visa tratar do seguinte tema “COVID-19: Oportunidades X Ameaças”, de modo a levantar debates sobre o cenário atual, possíveis saídas para o mesmo e a visualização de cenários futuros. Serão nove diálogos com #especialistas nas mais diversas áreas para abordarmos temas de interesse do ecossistema empreendedor e cultural conservador.

No primeiro Diálogo Empreendedor tratamos do seguinte tema “O efeito da quarentena no setor de franquias. Oportunidades X Ameaças”. O diálogo ocorreu no dia 13 de abril, às 19h na live no Instagram @universidade.da.liberdade.

O nosso convidado especial desse diálogo foi Dumet, que é economista, especialista em Expansão de Startups e Franchising. Está no mercado de Franquias há mais de 10 anos, já tendo participado da Formatação e Expansão de diversas marcas no mercado brasileiro. É sócio fundador da MPDUMET Formatação de Franquias, na qual cuida atualmente da Expansão de 35 marcas, todas Formatadas pela mesma. Há mais de 10 anos participa de todos os grandes eventos do Franchising brasileiro, ministrando palestras e ajudando a fomentar o Mercado de Franquias no país.

A live foi dividida em três blocos e vamos resumir as ideias apresentadas por nosso convidado. O texto abaixo foi revisado e aprovado pelo mesmo. Se você não assistiu a live no Instagram, assista a mesma em nosso canal no Youtube.

 

BLOCO 1: Nós estamos vivendo hoje no Brasil três pandemias. A pandemia do COVID-19, provocado pelo coronavírus; a pandemia do medo, que é a pandemia causada pela imprensa e nós temos, também, sendo construída nesse momento, a pandemia da corrupção, provocada por políticos oportunistas que estão aproveitando esse momento para roubar e saquear os cofres públicos. Essas três pandemias vão gerar uma grave crise econômica, que já vemos se iniciar hoje, segundo o SEBRAE são 600 mil empresas fechadas que geraram mais de 9 milhões de novos desempregados. Dentro desse cenário caótico que nós temos, quais são as ameaças que o empresário, a Startup que quer iniciar franquia ou aquela pessoa que tinha o dinheiro e queria iniciar uma franquia vão enfrentar. Quais são as ameaças que dominam esse cenário?

A mesma ameaça para o setor de franquias é a mesma ameaça para todos os setores. Que é esse cenário se postergar por muito mais tempo e o dinheiro não circular. Uma outra grande ameaça para o setor de franquias é a saúde dos franqueadores. Imagine você franquiado de uma marca hoje, que já era franquiado antes, e a franqueadora não sobrevive à pandemia? Quem é que vai te dar o suporte pelo qual você pagou lá atrás?

A pessoa [que deseja adquirir uma franquia] precisa estudar muito mais a franqueadora em si, além de estudar o negócio, para entrar em um negócio de franquia. Respondendo à pergunta de um ouvinte da live “Se ainda é um bom negócio investir em uma franquia nesse momento?”. Diogo respondeu, “eu esperaria um pouco e na hora em que eu fosse investir, eu iria estudar muito a saúde financeira da franqueadora”.

O professor Gervazio Lopes perguntou, “qual o risco que um franqueado tem se o franqueador entrar com o pedido de concordata, ficar todo endividado e não conseguir tocar o negócio? O franqueado corre algum risco de ter que arcar com a “porrada” que o franqueador levar por conta da crise?”

Diogo Dumet responde: arcar não, o que pode acontecer é que ele vai ter que partir para uma marca própria. Vamos supor, eu sou franquiado da marca Spoleto. Ai o Spoleto como um todo quebra. Então, obviamente, ele vai ter que cumprir as cláusulas contratuais, que me protegem como franquiado, que hoje está usando a marca dele. Então, se ele se comprometeu, contratualmente, a me entregar os produtos, sendo o fornecedor da rede, eu vou ter que encontrar um outro fornecedor e ele vai ter que me ressarcir por conta desse prejuízo. Se eu perco cliente por conta desse outro fornecedor não me entrega um produto com a mesma qualidade, ele vai ter que me ressarcir, também, em lucro cessantes, por que eu deixei de ganhar porque tive que mudar de fornecedor.

Se no subconsciente do consumidor, aquela é uma marca forte, a marca que vou criar não é uma marca tão forte e faz com que o consumidor deixe de vir, é mais um prejuízo que ele vai ter eu me ressarcir. O risco maior é que a justiça brasileira é muito lenta, você vai ter que acioná-lo e a gente sabe que esse tipo processo aqui demora muito tempo. Da mesma forma que se eu em enquanto franqueado crio um dano a marca, vou ter que responder judicialmente, o franqueador, dono da marca, criar um dano a mim, empresário, ele também tem que responder judicialmente.

O Apolo que estava assistindo a live perguntou “é possível cancelar o contrato de franquia (ainda não abriu a loja) sem pagamento de multa, em tempo de pandemia?”

Diogo Dumet finaliza o primeiro bloco respondendo, uma vez assinado o contrato ele tem duração de cinco anos. Se você tiver assinado só um pré-contrato, aí você pode entrar em negociação com a franqueadora.

BLOCO 2: Existe um ditado que é muito utilizado no período de crises que diz o seguinte, “em quanto uns choram, outros vendem lenços” e esse ditado é muito utilizado quando a gente vai falar na questão das oportunidades. Ou seja, na crise, existem as ameaças, mas também existem as oportunidades. No setor de franquias, quais são as oportunidades que o empresário pode vislumbrar nesse exato momento?

O grande problema dessa crise do COVID-19 é que para o Brasil, especificamente, a gente acabou de recentemente de uma crise. Nem tinha saído, estava começando a dar sinais de que ia sair, então, poucas pessoas no Brasil tem caixa. Cerca de 6% da população brasileira tem reserva e 94% não tem poupança, digamos assim. Não tem dinheiro guardado para aguentar muito tempo, sem contar com a moeda circulando.

Porém, o setor de franquias está na vanguarda de superar a crise, porque desde de 2013 quando a gente entrou na crise que durou até um ano e meio atrás, quando a gente deu sinais de que iria se recuperar. Desde 2013 o setor de franquias cresceu uma média de 8% à 10% ao ano. Porque o setor de franquias soube se reinventar com a crise.

Você pensa em empreender, você tem ali um capital e quer empreender. Você tem dois caminhos: você vai abrir uma marca própria ou você vai investir em uma franquia. Porque muitas pessoas preferem investir em uma franquia? A resposta é muito simples: para diminuir risco.

Quando você investe em uma marca, vamos pensar em um restaurante. O dono do restaurante quando abriu o restaurante dele dois ou três anos atrás e hoje ele está formatando a marca dele para se tornar uma rede de franquias, quem entrar para ser franquiado dele vai estar remunerando ele por todo esse histórico dele de três, quatro cinco anos, por toda comida que ele precisou jogar fora, porque venceu, porque aquele produto não agradava o paladar do cliente, por toda noite que ele ficou sem dormir, que tinha folha para pagar e não tinha um software de gestão financeira bom, por tudo que ele precisou gastar com agência de publicidade para construir uma marca legal, um layout da loja legal. Então, todo risco que ele [franqueador] correu ali atrás, o franqueado já entra pulando todas essas entradas.

Quem investe em franquia, investe para diminuir riscos. Quando você cria uma marca do zero, você corre todos esses riscos e se você não tiver capital de giro, você acaba quebrando. Então é melhor, muitas pessoas preferem pagar uma taxa de franquia a mais no investimento para poder receber know how, experiência, no caso de um restaurante, cardápio, marca e etc.

Uma das grandes mudanças no setor de franquias por conta da crise de 2013 a 2018 foi a inovação nos modelos de negócios. Hoje, 70% das unidades de franquias que abriram no Brasil, de três anos para cá, não são lojas físicas, são modelos alternativos, são quiosques, são food trucks, são contêineres. Porque uma loja física tem um custo muito alto de obra. Se você entender que, depois de ter feito o investimento, que aquele ponto comercial está interferindo negativamente em seu resultado, não é um bom lugar, você perdeu todo o investimento feito, mas se você tem um modelo menor, móvel, você pode levar para qualquer lugar.  Então, o setor de franquias se reinventou e quase todas as franquias tem um modelo alternativo de investimento baixo.

A grande oportunidade que o setor de franquias vai oferecer para o empreendedor em geral, depois dessa crise, são os modelos alternativos, de baixo investimento.

Primeiro, as pessoas vão precisar empreender porque não vai ter emprego para todo mundo. Segundo, elas não vão ter muito dinheiro para isso, então elas vão precisar fazer baixos investimentos.

Todas as marcas com qual eu trabalho possuem modelos alternativos para baixo investimento.

Uma outra oportunidade que a crise abre para o setor de franquias, um pouco cruel por conta do momento, é que, se na sua região existem vinte franquiados, nem todos vão sobreviver e como o cliente é fiel a marca, os que tiverem capital de giro e sobreviver à crise, vão herdar os clientes dos demais que não sobreviveram.

Pontos comerciais vão ficar mais baratos. É possível renegociar contratos e encontrar pontos bons a preços mais acessíveis e ter mais contratos mais longos.

É preciso ter muito cuidado com franqueadora que fala do investimento inicial total e que não inclui o capital de giro suficiente não é uma franqueadora séria. O franqueado deve ter muito cuidado na hora de escolher as marcas.

Tem duas coisas que fazem a franquia quebrar. O perfil do franqueado não é adequado ao negócio da franquia e plano de negócios furado. Você faz o PN com um investimento de R$ 100 mil, mas na verdade seria R$ 140 mil, porque você precisa de capital de giro, mas o franqueado só tem os R$ 100 mil. QUEBROU!!! Quebrou sem nem começar ou já começou morto.

BLOCO 3: Dentro desse cenário, quais mudanças que vem para ficar?

A principal mudança é a continuação dessa reinvenção. Não vamos ter empreendedores com capital para investir em negócios de 1 milhão de reais. Os modelos alternativos vão ser tendência. A franqueadora que conseguir se adaptar a modelos menores vai sobreviver a essa crise e a franquiar que ficar só no modelo muito grande não vai ter quem invista. As pessoas quebraram de vez, não vai ter dinheiro circulando fácil, até porque o problema é mundial. A crise é mundial. Você não vai sobreviver com modelos de elevado valor.

Tem que ter muito cuidado para escolher a franquia. A lei protege muito o franquiado antes dele entrar no negócio. Tem que ser entregue um documento chamado Circular de Oferta de Franquia, com a lista de todos os fraqueados da rede, com a lista de todos os que se desligaram nos últimos doze meses. O potencial franquiado deve fazer contato com os outros fraqueados da rede. A lei determina que o franqueador apresente seus dados contábeis, mas não determina que seja apresentado dos outros franqueados. É importante buscar essa informação, saber como os outros franqueados estão financeiramente. Uma vez estudado o mercado e constatado a saúde do franqueador, o mercado de franquias se apresenta como uma boa oportunidade.

A meta agora é sobrevivência. Se programar nesse momento para sobreviver, tanto o CPF quanto o CNPJ. Quem já é empresário pode se preparar e adaptar sua marca para rede de franquias. Quem quer ser empresário precisa estudar o mercado, as marcas e fazer uma boa escolha.

O mercado de franquias é uma ótima opção, com modelos de risco dividido e modelos alternativos com vários tipos de investimento. Deve-se tomar todas as precauções antes de assinar o contrato, pois uma vez assinado, levasse cinco anos nesse casamento.

Equipe UNILIVRE

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